Trago a vocês hoje a história de um mago negro, que após ter ouvido as palavras salvadoras de Cristo converteu-se. Não apenas se converteu como tornou-se bispo de nossa querida Igreja Católica.
No Reino de
Décio (249 – 251) viveu em Antióquia um
certo filósofo e mago de renome, cujo nome era Cipriano, um nativo de Cartago.
Nascido de pais ímpios, na sua infância ele foi consagrado por eles ao serviço
do deus pagão Apolo.
Entregue aos estudos da Magia
Com sete anos foi entregue aos magos para o estudo de magia
demoníaca. Com dez anos de idade ele foi enviado ao monte Olimpo, que os pagãos
chamavam de morada dos deuses, para ser iniciado nos caminhos da feitiçaria
grega.
Nessa montanha, Cipriano estudou diversas artes diabólicas:
dominou várias transformações demoníacas, aprendeu a mudar a natureza do ar
para trazer ventos, trovões, produzir chuvas, perturbar as ondas do mar, causar
danos aos jardins, vinhas e campos, enviar doenças e pragas sobre o povo, e, em
geral, ele aprendeu uma ruinosa sabedoria e atividade diabólica.
Quando ele tinha quinze anos, ele começou a receber lições
de sete grandes feiticeiros, deles ele aprendeu muitos segredos demoníacos.
Então, ele foi para a cidade de Argos, onde, depois de ter
servido a deusa Juno por um tempo, ele aprendeu muitas das práticas e manobras
de seus sacerdotes. Viveu também em Taurapolis(na ilha de Içara), no serviço da
deusa Diana, e de lá ele foi para Esparta, onde ele aprendeu Necromancia.
Aos vinte anos, Cipriano foi para o Egito, e na cidade de
Memphis, ele aprendeu maiores feitiços e encantamentos do que já citados. Em
seu trigésimo ano ele foi pros Caldeus, e tendo aprendido a Astrologia lá,
terminou seus estudos.
Cipriano em Antióquia
Com seus estudos acabados, Cipriano voltou a sua cidade
Natal. Assim, ele tornou-se um feiticeiro, mago, e destruidor de almas, um
grande amigo fiel servo do príncipe do inferno, com quem ele conversava face a
face, sendo outorgado a receber grande honra dele, como ele próprio
testemunhou:
“Acredite em mim.” Ele
disse:” Eu vi o príncipe das trevas, pois lhe propiciei com sacrifícios.
Cumprimentei-o e falei com ele e os seus anciãos, ele gostava de mim, elogiou
meu entendimento, e antes de todo mundo ele disse: Aqui está um novo Jambres,
sempre pronto para a obediência e digno de comunhão com nós!
E prometeu fazer de
mim um príncipe depois da minha partida do corpo, e para o curso da vida
terrena para me ajudar em tudo. E ele me deu uma legião de demônios para me
servir.
Quando partiram ele
dirigiu-se a mim com estas palavras:
“Coragem fervoroso
Cipriano; Levante-se e acompanhe-me, deixe todos os antigos demônios
maravilhar-se com você”
Por conseguinte, todos
os seus príncipes estavam atentos para mim, vendo a honra que demonstrou a mim.
A aparência externa do príncipe das trevas foi como uma flor. Sua cabeça foi
coroada com uma coroa (uma coroa fantasma) feita de ouro e pedras brilhantes,
com resultado do qual todo espaço ao seu redor estava iluminado, e sua roupa
era surpreendente.
Quando ele se voltava
para um lado ou outro, todo lugar tremia, uma multidão de espíritos malignos de
vários graus estavam obedientemente em seu trono. “Entreguei-me totalmente a
seu serviço naquela época, obedecendo a seus comandos todos os dias.”
Assim relatou
Cipriano, o servo do Senhor logo após sua conversão.
Vivendo em Antióquia,
fez com que muitas pessoas se voltassem à pratica de todo o tipo de ação ilegal,
ele matou muitos com venenos e magia, e abateu rapazes e moças como sacrifícios
para os demônios. Ele instrui muitos em sua magia ruinosa: a alguns ensinou
voar no ar, outros a navegar em barcos na nuvem, outros ainda caminhar sobre a
água. Por todos os pagãos era reverenciado e glorificado como um sacerdote e
mais sábio servo de seus deuses. Muitos se voltaram para ele em suas necessidades,
e ele ajudou-os por meio do poder demoníaco que estava cheio nele: ele
colaborou com alguns em seus adultérios, com outros no ódio, nas inimizades, na
vingança, na inveja.
Ele era um filho do
inferno, um participante da herança demoníaca e de sua perdição eterna.
Mas o senhor, em sua
bondade e misericórdia indizível que não é conquistada pelos pecados do homem,
se dignou a procurar este homem perdido, para tirar do abismo a que foi mergulhado
na sujeira das profundezas do inferno, e salvá-lo, a fim de mostrar a todos os homens
a sua misericórdia, porque não há pecado que possa apagar seu amor pela
humanidade.
Ele salvou Cipriano
da seguinte forma:
Conversão de Santa Justina
Vivia naquele tempo
em Antióquia, uma donzela que se chamava Justina. Ela era filha de pais pagãos,
seu pai era um sacerdote dos ídolos, por nome Edesius, e sua mãe chamava-se
Cledonia.
Uma vez, sentada à
janela de sua casa, esta donzela, que já tinha atingido a feminilidade, por
acaso, ouviu as palavras da salvação da boca de um diácono que estava passando,
cujo nome era Praylius.
Ele falava de nosso
senhor Jesus Cristo, ter de feito homem, nascido da mais pura virgem, ter
realizado muitos milagres, de como havia se dignado a sofrer por causa de nossa
salvação, ressuscitado dentre os mortos com glória, subido aos céus, e se
sentado à direita do Pai e reinado eternamente.
Essa pregação do
diácono caiu em boa terra no coração de Justina, e rapidamente começou a dar
frutos, o desenraizamento nela dos espinhos da incredulidade.
Justina quis ser mais
completamente instruída na fé deste diácono, mas ela não se atrevia a
procura-lo, sendo contida pelo pudor de uma donzela.
No entanto, ela foi secretamente
a Igreja de Cristo, e muitas vezes ouviu a palavra de Deus e com o Espirito
Santo agindo em seu coração, ela passou a acreditar em Cristo.
Logo, ela convenceu a
mãe e o pai, que já eram idosos. Vendo a compreensão de sua filha e ouvindo
suas palavras sábias, Edesius refletia dentro de si:
“Os ídolos são feitos pelas mãos dos homens, e não tem nem alma nem
respiração e , portanto como podem ser deuses?”
Uma vez a noite ele
viu durante o sono pelo consentimento divino,
uma visão maravilhosa: ele viu uma grande multidão de anjos cheios de
luz, e no meio deles estava o salvador do mundo, Cristo, que disse a ele:
“Vinde a mim, e eu te
darei o Reino dos Céus”
Após se levantar de
manhã, Edesius foi com sua esposa e filha para o bispo cristão, cujo nome era
Optato, implorando-lhe para instrui-los na fé de Cristo e realizar o santo
Batismo.
Ao mesmo tempo,
informou-lhe as palavras da filha e a visão angelical que tinha tido.
Ouvindo isto, o bispo
alegrou-se com sua conversão, e tendo os instruído na fé de Cristo, ele batizou
Edesius, sua esposa Cledonia e Justina, sua filha, então lhes deu a comunhão
dos santos mistérios, deixando-os ir em paz.
Quando Edesius se
tornou forte na fé em Cristo, o bispo, vendo a piedade dele, fez dele um
presbítero.
Depois disso, viveu
virtuosamente no temor de Deus por um ano e seis meses, e assim, Edesius, na fé
santa, chegou ao final de sua vida.
Quanto a Justina, ela
lutou bravamente na manutenção dos mandamentos de Deus, amando a Cristo Esposo,
ela serviu-o com fervorosas orações, na virgindade e castidade, jejum e grande
abstinência.
Mas o inimigo da raça
humana, vendo uma vida assim, invejou suas virtudes e começou a fazer-lhe mal,
causando vários infortúnios e tristezas.
Naquela época vivia
em Antióquia, um jovem chamado Aglaias, filho de pais ricos e famosos. Ele
vivia luxuriosamente, dando-se inteiramente à vaidade do mundo. Uma vez, ele
viu Justina quando ela estava indo à igreja, ele ficou impressionado com sua
beleza.
O diabo incutiu
intenções vergonhosas em seu coração. Sendo inflamado em sua sensualidade,
Aglaias por todos os meios se esforçou para ganhar a boa disposição e amor de
Justina, usou artifícios para trazer o cordeiro puro de Cristo à corrupção que
ele havia planejado.
Ele observou todos os
caminhos pelos quais a menina ia a pé, e decidiu conhecê-la, iria falar com
palavras astuciosas, elogiando sua beleza e sua glorificação, mostrando seu
amor por ela, ele se esforçou para trazê-la para a prostituição tecendo uma
ardilosa rede de enganos.
A moça, porém,
desviou-se dele e fugiu dele, desprezando-o e mesmo não desejando ouvir
discursos enganosos e astúcia. Mas o jovem não esfriou em seu desejo por sua
beleza, e enviou o seu pedido de que ela deveria concordar em ser sua esposa.
Ela, porém,
respondeu-lhe: "Meu esposo é Cristo, a Ele sirvo, é por causa dele que eu
preservo a minha pureza. Ele preserva tanto a minha alma e meu corpo de todas
as impurezas”.
Ouvindo a resposta da
donzela casta, Aglaias, sendo instigado pelo diabo, tornou-se ainda mais
inflamado com essa paixão. Não sendo capaz de enganá-la, ele destinou-se a
agarrá-la pela força.
Após conseguir a
ajuda de alguns jovens tolos como ele mesmo, ele a esperou no caminho por onde
ela andava normalmente à igreja para a oração, lá ele a encontrou e,
aproveitou-se para arrastá-la à força para sua casa. Mas ela começou a gritar
alto, bater-lhe no rosto e cuspir nele.
Os vizinhos, ouvindo
seus gritos, correram para fora de suas casas e tomaram o cordeiro imaculado,
Santa Justina, das mãos da juventude irreverente, a partir das mandíbulas de um
lobo.
Os jovens se espalharam desordenadamente, e
Aglaias retornou com vergonha para sua casa.
Não sabendo mais o
que fazer, ele decidiu, com o aumento do desejo impuro, em fazer um novo mal:
ele foi ao grande mago Cipriano, o sacerdote dos ídolos, e informou-lhe sua
tristeza, implorou sua ajuda, prometendo-lhe dar muito ouro e prata.
Tendo ouvido a
Aglaias, Cipriano consolou-o, prometendo cumprir o seu desejo. "Eu
demandarei nisso", disse ele, "a moça vai buscar o seu amor e sua
paixão ainda mais forte do que você tem buscado o dela".
Tendo assim consolado
o jovem, Cipriano deixou-o ir, cheio de esperança.
Então, tendo os
livros de sua arte secreta, ele invocou um dos espíritos ímpios, que ele tinha
certeza, poderia em breve inflamar o coração de Justina com a paixão pelo jovem
Aglaias.
O demônio de boa
vontade para cumprir essa promessa e orgulhosamente afirmou:
"Este ato não é
difícil para mim, porque muitas vezes eu abalei cidades, desmoronei paredes,
destruí casas, causei derramamento de sangue e parricídio, instilei o ódio e a
ira entre irmãos e cônjuges, e trouxe para o pecado muitos que deram um voto de
virgindade. Em monges que se instalaram nas montanhas e estavam acostumados a
jejum rigoroso e nunca sequer pensaram em carne e osso, instilei luxúria
adúltera e os instruiu para que servissem as paixões carnais, as pessoas que se
arrependeram e se afastaram do pecado, eu converti de volta às maldades, muitas
pessoas castas eu joguei em fornicação. Vou ser realmente incapaz de inclinar
esta donzela ao amor de Aglaias? Na verdade, por que eu falo? Vou mostrar
rapidamente os meus poderes em qualquer ação. Tome este pó (aqui ele deu-lhe um
vaso cheio de alguma coisa) e dá a esse jovem, o deixe borrifar a casa de
Justina com ele, e você verá que o que eu disse vai acontecer".
Dito isto, o demônio
desapareceu. Chamou Cipriano Aglaias e enviou-o para borrifar a casa de Justina
secretamente com o conteúdo do recipiente dado pelo demônio.
Tentações de Santa
Justina
Quando isto tinha sido feito, o demônio da
fornicação entrou na casa com flechas ardentes de desejo carnal, a fim de ferir
o coração da menina com a prostituição, e para inflamar a sua carne com desejo
impuro.
Justina tinha o
costume de a cada noite oferecer orações ao Senhor. E eis que, quando, segundo
o costume, levantou-se na terceira hora da noite e estava orando a Deus, sentiu
de repente uma agitação em seu corpo, uma tempestade de luxúria corporal e as chamas
do fogo do inferno.
Em tal agitação e
luta interior, ela permaneceu por muito tempo, o jovem Aglaias veio à sua mente
e pensamentos vergonhosos surgiram em seu coração.
A donzela maravilhada
tinha vergonha de si mesma, sentindo que seu sangue fervia como num caldeirão,
agora ela pensava no que ela sempre desprezada como vil.
Mas, no seu bom senso
Justina entendeu que essa batalha havia surgido em seu coração pelo diabo;
imediatamente virou-se para a arma do sinal da cruz, apressou-se a Deus com
fervorosa oração, e das profundezas do seu coração clamou a Cristo, seu Noivo:
"Ó Senhor, meu
Deus, Jesus Cristo! Eis quantos inimigos se levantaram contra mim e têm
preparado uma rede, a fim de me pegar e tirar a minha alma. Mas lembrei-me do
teu nome no meio da noite e me rejubilo, agora, quando eles estão lutando
contra mim, recorro a Ti e tenho esperanças que o meu inimigo não triunfará
sobre mim. Porque tu sabes, ó Senhor meu Deus, que eu, tua escrava, tenho
preservado a ti a pureza do meu corpo e tenho confiado a minha alma a ti.
Preservai tua ovelha, ó bom pastor; não a dês para ser comida pelo monstro que
tenta devorar-lhe, daí-me a vitória sobre o mau desejo da minha carne".
Tendo orado muito e
com fervor, a Santa Virgem encheu o inimigo de vergonha pela derrota. Ao ser
derrotado por sua oração, ele fugiu dela com vergonha, e novamente veio uma
calma no corpo Justina e o coração, a chama do desejo foi extinta, a batalha
cessou, o sangue a ferver foi acalmado.
Justina glorificou a
Deus e cantou uma canção de vitória.
O demônio, por outro
lado, voltou a Cipriano, com a triste notícia que ele nada tinha conseguido.
Cipriano perguntou por que ele não tinha sido capaz de conquistar a moça.
O demônio, mesmo
contra sua vontade, revelou a verdade:
"Eu não conseguia
conquistá-la, porque eu vi sobre ela um certo sinal do qual eu tenho
medo."
Então, Cipriano
chamou um demônio ainda mais malicioso e enviou-o para tentar Justina.
Ele foi e fez muito
mais do que o primeiro, caindo sobre a donzela com grande fúria. Mas ela
tendo-se armada com a oração fervorosa, colocou-se num trabalho ainda mais
poderoso: ela se vestiu com uma camisa de cabelo e mortificou sua carne com a
abstinência e jejum, comendo apenas pão e água.
Tendo assim
domesticado as paixões da sua carne, Justina conquistou o diabo e baniu-o de
vergonha.
Ele como o primeiro,
voltou a Cipriano, sem realizar qualquer coisa.
Então Cipriano chamou
um dos príncipes dos demônios, informou-lhe sobre a fraqueza dos demônios que
ele tinha enviado que não poderia conquistar uma moça simples, e pediu a ajuda
dele.
Esse príncipe dos
demônios censurou severamente os outros demônios pela falta de habilidade deles
nessa questão e pela incapacidade deles para despertar a paixão no coração da
menina.
Após ter dado
esperança a Cipriano, prometeu seduzir a moça por outros meios, ele assumiu a
aparência de uma mulher e foi até Justina.
Ele começou a
conversar com ela piedosamente, como se estivesse desejando seguir o exemplo de
sua vida virtuosa e sua castidade. Conversando, dessa forma, ele perguntou a
donzela que tipo de recompensa poderia haver para uma vida tão rigorosa e
preservação da pureza.
Justina respondeu que
a recompensa para aqueles que vivem em castidade é grande, além das palavras, e
que é muito estranho que as pessoas não nos dizem respeito, pelo menos próprias
para um tesouro tão grande como a pureza angelical.
Então o diabo,
revelando sua falta de vergonha, começou com palavras astuciosas para tentá-la,
dizendo:
"Mas então, como poderia o mundo existir?
Como as pessoas iriam nascer? Afinal, se Eva tivesse preservado sua pureza,
como é que a raça humana aumentaria?
No casamento, a
verdade é uma coisa boa, que é estabelecido por Deus, a Sagrada Escritura
também elogiá-lo, dizendo: "O matrimônio seja honrado entre todos, e o
leito sem mácula (Hb 13:4)”.
E muitos santos de
Deus também eles não entram em casamento, que Deus lhes deu como uma
consolação, para que eles possam regozijar-se em seus filhos e louvar a
Deus?"
Ouvindo essas
palavras, Justina reconheceu o enganador astuto, o diabo, e mais hábil do que
antes, o derrotou.
Sem continuar essa
conversa, ela fugiu imediatamente para a defesa da Cruz do Senhor e colocando o
seu sinal honroso na testa, seu coração voltou-se para Cristo, seu Esposo.
E o diabo
imediatamente desapareceu com vergonha ainda maior que os dois primeiros
demônios.
Em grande
perturbação, o orgulhoso príncipe dos demônios voltou a Cipriano, que,
descobrindo que ele não conseguiu fazer nada, disse-lhe:
"Pode ser que
você mesmo, um príncipe poderoso e mais hábil do que os outros em questões como
essa, não poderia conquistar a donzela? Quem, então, entre vocês pode fazer
qualquer coisa com o coração dessa jovem invencível? Diga-me como que ela arma
batalhas contra vocês, e como ela torna impotente teu poder potente?"
Sendo derrotado pelo
poder de Deus, o Diabo sem querer admitiu:
"Nós não podemos
contemplar o sinal da cruz, mas fugimos dele, porque ele nos castiga como o
fogo e expulsa-nos longe."
Cipriano ficou
indignado com o diabo porque ele o envergonhou, e repreendendo o demônio, ele
disse:
"Esse é o teu
poder que mesmo para uma fraca virgem perde!”
Então o diabo,
desejando consolar Cipriano, tentou ainda outro compromisso: ele assumiu a forma
de Justina e foi a Aglaias com a esperança de que, depois de ter levado para a
Justina real, o jovem poderia satisfazer seu desejo e, portanto, não seria a
fraqueza dos demônios revelada, nem seria Cipriano confundido.
E eis que, quando o demônio foi até Aglaias
sob a forma de Justina, o jovem pulou de alegria indescritível, correu para a
donzela falsa, abraçou-a e começou a beijá-la, dizendo:
"Como é bom que você veio para mim, justa
Justina!”
Mas mal o jovem
pronunciou a palavra "Justina" que o demônio desapareceu
imediatamente, sendo incapaz de suportar até mesmo o nome de Justina.
O jovem ficou com
muito medo e, correndo para Cipriano, disse-lhe o que tinha acontecido.
Então Cipriano por
sua magia deu-lhe a forma de um pássaro e, depois de lhe permitir voar no ar,
ele mandou para a casa de Justina, aconselhando-o a voar em seu quarto pela
janela.
Sendo carregado por
um demónio no ar, Aglaias voou sobre o telhado.
Nesse momento Justina passou a olhar através
da janela de seu quarto. Vendo-a, o demônio deixou Aglaias e fugiu.
Ao mesmo tempo, a
aparência de pássaro de Aglaias também desapareceu, e o jovem, caiu.
Ele agarrou a borda
do telhado com as mãos e, segurou-a pendurando-se ali, e se ele não tivesse
sido descido até o chão com a oração de Santa Justina, o irreverente teria
caído e morrido.
Assim, não tendo
conseguido nada, o jovem retornou a Cipriano e disse-lhe de sua desgraça.
Vendo-se
envergonhado, Cipriano ficou muito triste e pensou de ir a Justina, confiando
no poder da sua magia.
Ele se transformou em
um pássaro, mas ele não conseguiu ultrapassar a porta da casa de Justina, antes
de sua falsa aparência desaparecer e voltou com tristeza.
Após isso, Cipriano
começou a se vingar, e com a sua magia trouxe desgraças diversas sobre à casa de
Justina e nas casas de todos os seus parentes, vizinhos e amigos, assim como
uma vez o diabo fez com o Jó justo (Jó 1: 15-19, 02:07).
Ele matou os animais,
ele derrubou os seus escravos com pragas e, dessa forma, ele trouxe a dor
extrema.
Finalmente, ele
abateu com a doença a própria Justina, de modo que ela se deitou na cama e sua
mãe chorou sobre ela.
Justina, porém, consolou a mãe com as palavras
do Profeta David: ”Eu não morrerei, mas viverei, e vou contar as obras do
Senhor” (Salmo 117:17).
Não só a Justina e
seus parentes, mas também toda a cidade, por permissão de Deus, Cipriano trouxe
infelicidade, como resultado de sua fúria indomável e sua grande vergonha.
Pragas apareceram nos
animais e várias doenças entre os homens, e a propagação do boato, através da
ação dos demônios, que o grande feiticeiro Cipriano ia punir a cidade por conta
da oposição de Justina para com ele.
Em seguida, os mais
honráveis cidadãos foram até Justina, cheios de raiva e tentaram persuadi-la a
não irritar Cipriano por mais tempo, e se tornar a esposa de Aglaias, a fim de
escapar de ainda mais desgraças para toda a cidade por causa dela.
Mas ela acalmou-os
dizendo que em breve todas as desgraças que tinham sido trazidas com a ajuda
dos demônios de Cipriano cessariam. E assim aconteceu.
Quando Santa Justina
orou fervorosamente a Deus, imediatamente todos os ataques demoníacos sumiram,
todos foram curados das pragas e se recuperaram de suas doenças.
Quando essa mudança
ocorreu, o povo de Cristo o glorificou e zombaram de Cipriano feiticeiro e de
sua astúcia, e ele de vergonha não podia mostrar-se entre os homens e evitou
reunir-se mesmo com amigos.
Conversão de Cipriano
Tendo-se convencido
de que nada poderia derrotar o poder do sinal da cruz e do nome de Cristo, Cipriano
voltou a si e disse ao diabo:
"Ó destruidor e
enganador de tudo, fonte de toda impureza e corrupção! Agora eu descobri tua
enfermidade.
Porque, se você tem medo até da sombra da cruz
e treme ao nome de Cristo, então o que você fará quando o próprio Cristo vier a
você?
Se você não pode
derrotar aqueles que se assinalam com o sinal da cruz, em seguida, quem é que
você vai arrancar das mãos de Cristo? Agora eu entendi o que é uma entidade não
ter poder, você nem sequer é capaz de se vingar!
Ouvindo a você, um
miserável, ter sido enganado, e eu acreditei seus truques.
Afasta de mim, malditos! Para que eu deva
implorar aos cristãos para que tenham piedade de mim. Devo apelar para as
pessoas piedosas, que podem me afastar da perdição e que estou preocupado com a
minha salvação. Afaste de mim, um anárquico, inimigo da verdade, o adversário e
inimigo de todas as coisas boas!"
Tendo ouvido isso, o
demônio se jogou sobre Cipriano, a fim de matá-lo e atacá-lo, ele começou a
bater e estrangulá-lo.
Não encontrando
defesa em qualquer lugar, e não sabendo como ajudar a si próprio de ser
entregue nas mãos do feroz demônio, Cipriano, já quase não vivo, lembrou-se do
sinal da cruz, pelo poder do qual se opôs Justina ao poder de todos os
demônios, e clamou: Ó Deus de Justina, me ajude!”
Então, levantando a
mão, ele fez o sinal da cruz, e o diabo imediatamente saltou para longe dele
como uma flecha de um arco.
Ganhando coragem,
Cipriano tornou-se mais ousado, e invocando o nome de Cristo, assinalou-se com
o sinal da cruz e destemidamente repreendeu e amaldiçoou o demônio.
Quanto ao diabo,
estando muito longe dele e não se atrevendo a aproximar-se com medo do sinal da
cruz e do nome de Cristo, ele ameaçou Cipriano de todas as maneiras, dizendo:
"Cristo não vai
retirá-lo de minhas mãos!"
Em seguida, após longos e ferozes ataques
sobre Cipriano, o demônio rugindo como um leão foi embora.
Então Cipriano pegou
todos os seus livros de magia e foi até o bispo Cristão Anthimus.
Caindo aos pés do bispo, ele pediu que tivesse
misericórdia dele e desse-lhe o santo Batismo.
Sabendo que Cipriano
foi um grande mago, temido por todos, o bispo achava que ele tinha chegado a
ele com algum tipo de truque e, portanto, ele se recusou, dizendo:
"Você faz muito
mal entre os pagãos, deixe os cristãos em paz, para que nenhum pereça."
Então, com lágrimas
Cipriano confessou tudo ao Bispo e deu-lhe seus livros para serem queimados.
Vendo a sua
humildade, o Bispo instruiu-lhe e ensinou-lhe a santa fé, e, em seguida,
ordenou-lhe para se preparar para o Batismo, e seus livros Cipriano os
queimaria diante de todos os cidadãos para que todos acreditassem.
Deixando o Bispo com
um coração contrito, Cipriano chorou por seus pecados, polvilhado cinzas sobre
a cabeça, e sinceramente arrependido, chamou o Deus verdadeiro para a limpeza
de suas iniquidades.
Chegando no dia
seguinte à igreja, ele ouviu a palavra de Deus com alegria e emoção, estando
entre os cristãos.
E quando o diácono comandou os catecúmenos
para sair, declarando: "Vós catecúmenos afastai-vos", e as pessoas já
estavam saindo, mas Cipriano não queria sair, dizendo ao diácono:
"Eu sou um
escravo de Cristo, não me mande sair daqui."
Mas, o diácono disse-lhe:
"Como você ainda
não recebeu o santo Batismo, você deve sair da igreja."
Então, Cipriano
respondeu:
"Como Cristo meu Deus vive, e livrou-me
do diabo, e tem preservado a donzela Justina pura, teve piedade de mim, você
não vai me mandar para fora da igreja, até eu me tornar um completo
cristão."
O diácono disse tudo
o que se passou ao bispo, e o bispo, vendo o fervor de Cipriano e sua devoção à
fé de Cristo, chamou-o e imediatamente o batizou em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo.
Sabendo disso, Santa
Justina deu graças a Deus, distribuiu muitas esmolas aos pobres, e fez uma
oferta na igreja.
Cipriano o Servo do Senhor, Bispo
E Cipriano, no oitavo dia após o seu batismo,
foi feito um leitor pelo Bispo; no vigésimo dia seguinte ele foi feito
subdiácono, e no trigésimo dia um diácono e, em um ano, ele foi ordenado
sacerdote.
Cipriano mudou
completamente sua vida, a cada dia, ele aumentou seus esforços, e
constantemente chorando sobre sua vida anterior, ele aperfeiçoou-se e
aumentando força a força.
Logo ele foi feito
bispo, e neste posto, ele levou uma vida santa que se igualou a muitos grandes
santos.
Ao mesmo tempo, ele
cuidava zelosamente do rebanho de Cristo, que tinha sido confiado a ele.
Santa Justina fez-se
uma diaconisa, e então lhe confiou um convento, tornando-a abadessa em relação
às outras donzelas cristãs.
Por sua conduta e
instrução converteu muitos pagãos adquirindo-os para a Igreja de Cristo.
Assim, a adoração dos
ídolos começou a morrer naquela terra, e a glória de Cristo aumentou.
Martírio de Cipriano
o Servo do Senhor e Santa Justina
Vendo a vida cristã
de Cipriano, a sua preocupação com a fé de Cristo pela salvação das almas
humanas, o diabo abriu os dentes contra ele e inspirou os pagãos para difamá-lo
perante o governador da região oriental, dizendo que ele tinha envergonhado os
deuses convertendo muitas pessoas para longe deles, e estava glorificando
Cristo, que era hostil aos deuses pagãos.
E assim, muitos
ímpios foram ao governador Eutolmius, que então regia essas regiões, e fez
calúnias contra Cipriano e Justina, acusando-os, de serem hostis aos seus
deuses e ao imperador e a todas as autoridades, dizendo que eles estavam
perturbando as pessoas, enganando-as e conduzindo-as em seus passos,
dispondo-as à adoração de Cristo crucificado.
Ao mesmo tempo em que
pediam ao governador para dar Cipriano e Justina à morte por isso.
Tendo ouvido esse
pedido, Eutolmius ordenou que Cipriano e Justina fossem colocados na prisão.
Então, indo a Damasco, ele os levou com ele a fim de julgá-los.
E quando eles
trouxeram os prisioneiros de Cristo, Cipriano e Justina, ele, perguntou a
Cipriano:
"Por que você
mudou a sua forma anterior gloriosa da vida, quando você era um servo de renome
dos deuses e trouxe muitas pessoas para eles?"
Cipriano o Servo do
Senhor contou ao governador como ele descobriu a fraqueza e o engano dos
demônios e chegou a entender o poder de Cristo, o qual os demônios têm medo e
diante do qual eles tremem, desaparecendo diante do sinal da preciosa cruz e da
mesma forma, ele explicou o motivo de sua conversão a Cristo, por quem ele
declarou sua vontade de morrer.
O torturador não
aceitou as palavras de Cipriano em seu coração, mas ser incapaz de responder a
eles, ordenou que Cipriano o Servo do Senhor fosse pendurado e seu corpo
rasgado, e que Santa Justina fosse espancada na boca e nos olhos.
Durante todo o tempo
que os atormentaram incessantemente confessaram a Cristo e suportaram tudo com
gratidão.
Em seguida, o torturador os prendeu e os
exortou a voltarem à adoração de ídolos.
Como ele não foi
capaz de convencê-los, ordenou que fossem jogados em um caldeirão, mas o
caldeirão não causou qualquer dano, e glorificavam a Deus como se estivessem em
algum lugar legal.
Vendo isso, um
sacerdote dos ídolos, de nome Atanásio, disse: "Em nome do deus Esculápio,
eu também mergulharei neste fogo e envergonharei esses feiticeiros." Mas
mal tocou o fogo, ele morreu imediatamente.
Vendo isso, o
torturador se assustou, e não desejando julgá-los mais, ele enviou os mártires
ao governador Cláudio em Nicomédia, descrevendo tudo o que tinha acontecido com
eles.
O governador
condenou-os a ser decapitado pela espada. Quando eles foram trazidos para o
local da execução, Cipriano o Servo do Senhor pediu um pouco de tempo para a
oração, para que Justina pudesse ser executada primeiro, ele temia que Justina
se assustasse com a visão de sua morte.
Mas ela curvou a
cabeça alegremente sob a espada e partiu para seu Esposo, Cristo.
Vendo a morte desses
inocentes mártires, certo Theoctistus, que estava lá presente, sentindo muita
pena deles e inflamando em seu coração para com Deus, caiu junto de São
Cipriano, beijando-o, e declarou-se cristão.
Junto com Cipriano o
Servo do Senhor, ele também foi imediatamente condenado a ser decapitado.
Assim, entregou sua
alma às mãos de Deus, seus corpos, no entanto, ficaram por seis dias
insepultos. Alguns dos estrangeiros que estavam lá secretamente os levaram a
Roma, onde lhes deu a uma certa mulher virtuosa e santa, cujo nome era Rufina,
uma parente de Cláudio César.
Ela enterrou com honra os corpos dos santos
mártires de Cristo: Cipriano o Servo do Senhor, Justina e Theoctistus.
Em suas sepulturas
muitas curas ocorreram para aqueles que lá rezavam a eles com fé. Já no império de Constantino, os restos
mortais foram enviados para a Basílica de São João Latrão.
(O martírio deles
ocorreu no final do terceiro século, segundo alguns, por volta do ano 268, mas,
segundo outros, 304).
Relíquias de Cipriano
o Servo do Senhor e Santa Justina estão em Milão.
Que Deus abençoe todos vocês!